INGÁ ORTHOS

TUMORES ÓSSEOS NA INFÂNCIA E ADOLECÊNCIA 

Os tumores ósseos na infância e adolescência são poucos comuns e suas manifestações iniciais são facilmente confundidas com patologias não neoplásicas. O esforço de realizar um diagnóstico precoce pode ser recompensado com a preservação da função e do membro. 

OSTEOMA OSTEÓIDE

 É uma lesão osteoblástica, freqüentemente benigna ativa, caracterizada pelo seu pequeno tamanho (em geral menos do que 1,5 cm), com bordos claramente delimitados e a presença freqüente, mas não constante, de uma zona periférica de neoformação óssea reativa. Histologicamente é constituído por um tecido celular muito vascularizado composto por osso imaturo e tecido osteóide.

Aparecem sobretudo nas diáfises dos ossos longos, especialmente na tíbia e no fêmur e apresenta-se como um nicho radiotransparente oval ou arredondado, com uma zona reacional esclerótica densa ao redor da lesão.

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 A lesão costuma ser dolorosa, provavelmente pela presença de fibras nervosas no tumor e não parece aumentar de volume com a evolução. A queixa clínica típica é uma dor persistente, vaga, que piora à noite e é aliviada pelos salicilatos.

Osteoma osteoide tem a tendência de afetar a porção posterior da vertebra durante a adolescência, podendo causar dor, escoliose, sintomas radiculares e é responsável por 10% dos tumores ósseos da coluna. As opções de tratamento incluem o uso prolongado de antiinflamatórios não hormonais e ressecção cirúrgica.

OSTEOBLASTOMA

 É uma lesão benigna ativa com estrutura histológica semelhante à do osteoma osteóide, do qual se diferencia pelo maior tamanho (geralmente maior do que 2cm de diâmetro), pela habitual ausência de uma zona periférica de formação óssea reativa e pela maior agressividade.

Acomete indivíduos na infância e na adolescência. Costuma acometer as vértebras (principalmente os segmentos do arco neural), e tende a ser mais agressivo que osteoma osteóide requerendo ablação cirúrgica. Radiologicamente, a lesão é do tipo lítico e expansivo com graus variáveis de de ossificação central.

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O tratamento do osteoblastoma consiste na ressecção da lesão com margens amplas. Isso é necessário devido à agressividade local de algumas formas de osteoblastoma. Nenhum método adjuvante, seja rádio ou quimioterapia, deve ser utilizado no tratamento desta ou de outras lesões benignas do esqueleto.

O prognóstico é bom após a cirurgia realizada com margens amplas de ressecção. A taxa de recidiva é em torno de 10%.

CISTO ÓSSEO ANEURISMÁTICO

Lesão pseudotumoral, de características osteolíticas expansivas, constituídas por espaços de tamanho variado, cheios de sangue, separados entre si por tabiques de tecido conjuntivo onde se podem ver trabéculas de tecido ósseo ou osteóide e células gigantes osteoclásticas

O cisto ósseo aneurismático é uma lesão hipervascularizada, benigna, localmente destrutuiva pelo seu crescimento progressivo, de incidência maior na segunda década de vida. Costumam acometer os elementos posteriores da coluna ou do corpo vertebral e com o aumento progressivo da lesão, provoca compressão das raízes e da medula, podendo causar sintomas como fraqueza e distúrbios sensitivos nos membros.

O tratamento recomendado é curetagem da lesão, descompressão dos elementos espinhais  e seu preenchimento com auto-enxerto.

GRANULOMA EOSINOFÍLICO

Lesão benigna do osso que acomete preferentemente crianças e representa forma localizada da histiocitose de células de Langherhans no esqueleto, antigamente denominada histiocitose X.

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Radiologicamente o granuloma eosinofílico causa alterações líticas e, na vértebra, o típico colapso do corpo vertebral (vértebra plana). Apesar do seu comportamento benigno e algumas vezes evoluir para a cura espontânea, a decisão do tratamento é individualizada, devendo ser levado em conta, primordialmente, o grau de extensão e a localização da lesão e as possíveis complicações que possam ocorrer. Muitos desses tumores podem ser tratados sem cirurgia, e em certos casos, com baixas doses de radiação.

TUMORES MALIGNOS DA COLUNA

SARCOMA DE EWING

Tumor maligno do osso que se origina da medula óssea e afeta meninos e adolescentes na faixa de 5 a 15 anos de idade. As localizações principais são a diáfise do fêmur, seguida da região proximal do fêmur, da diáfise da fíbula, da ulna e dos ossos da pelve e pode provocar metástase s a outros sítios do esqueleto, incluindo coluna, sobretudo os corpos vertebrais e pedículos vertebrais. Este tumor acompanha de febre baixa, aumento da velocidade de hemossedimentação e de leucocitose, podendo ser confundido com osteomielite.

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O tratamento do Tumor de Ewing é dividido em três etapas: quimioterapia pré-operatória, cirurgia e quimioterapia ou radioterapia pós-operatória.

OSTEOSSARCOMA

O osteossarcoma é o segundo tipo mais comum de tumor ósseo primário. É altamente maligno, com uma tendência a metastatizar aos pulmões, sendo mais comum mais comuns em crianças e adolescência,  com um segundo pico de ocorrência na vida adulta, associado a enfermidade de Paget.

O osteossarcoma  costumam atingir as extremidades dos ossos longos. Locais primários mais comuns de aparecimento são o fêmur e tíbia (próximos ao joelho) e úmero.

O osteossarcoma aparece na região entre a cortical (superfície) e a medular (interior) dos ossos longos e tipicamente crescem através da cortical e invadem os tecidos moles que rodeiam o local. O tumor pode também invadir através do interior do osso, dando lesões que podem estar a uma certa distância do tumor primário.

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Histologicamente, a característica básica destes tumores é a presença de células neoplásicas imaturas que produzem osso imaturo.

Os sintomas mais comuns são dor localizada e inchaço do local. É freqüente o paciente associar a dor a um trauma recente. No exame físico podemos encontrar aumento do volume local, dor, calor local e limitação na movimentação da articulação comprometida.

As metástases ocorrem principalmente para pulmões e outros ossos e geralmente dão pequenos sintomas desde um estágio precoce da doença.

Dor persistente, profunda e localizada em joelho, principalmente na infância e adolescência necessita de uma avaliação radiológica, onde poderá ser levantada a suspeita de tumor. Estudos de imagem incluem tomografia do tórax para procurar metástase pulmonar e cintilografia óssea para pesquisa de metástase óssea, além de ressonância nuclear magnética do tumor primário para total avaliação da extensão dentro da medula e dos tecidos moles que rodeiam o osso.

O tratamento inclui a quimioterapia e ressecção cirúrgica completa. A radioterapia não tem valor no tratamento destes tumores, sendo a cirurgia o tratamento principal.

Atualmente se espera cura de no mínimo 66% dos pacientes que não apresentam metástases ao diagnóstico. Os pacientes que já apresentam metástases ao diagnóstico, esperam-se menos de 20% de taxa de sobrevida.