INGÁ ORTHOS

PREVINA AS DEFORMIDADES DA COLUNA VERTEBRAL DO SEU FILHO!

A importância da detecção precoce das deformidades da coluna na infância e adolescência, deve-se principalmente ao fato de podermos encontrar até 10% de dependentes de Bombeiros Militares com alguma patologia de coluna vertebral, tomando como estimativa o número de 40.000 dependentes nessa faixa etária. O número percentual de ESCOLIOSES com repercussão patológica situa-se entre 1 a 3 por 1000, acometendo uma população alvo interna estimada em aproximadamente 100 dependentes. Em relação a ESPONDILOLISTESE, considerando que a incidência é de 5% para a sexo masculino e 1 a 3% para o sexo feminino, estimamos o acometimento de 400 a 2.000 jovens. Sendo a prevalência de CIFOSE DE SCHEUERMANN em torno de 0,4% a 8% da população geral, temos uma faixa de 160 a 3.200 dependentes com esta deformidade. 

ESCOLIOSE IDIOPÁTICA

É uma deformidade tridimensional da coluna vertebral, de causa ainda desconhecida, caracterizada por um desvio no plano frontal maior que 10º (dez graus).

Histórico:

O termo escoliose é derivado do grego, significa curvatura. Quando usado na literatura, significa curvatura lateral da coluna.A escoliose foi primeiramente descrita por Hipócrates que descreveu o mau prognóstico em relação ao seu aparecimento precoce, sem qualquer distinção quanto ao seu aspecto etiológico. O tratamento consistia em tração horizontal forçada com apoio.

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Hipócrates                                                 Tração horizontal forçada com apoio


Até o século XV pouco progresso foi feito no tratamento da escoliose, quando Ambroise Paré (1510-1590) descreveu a escoliose congênita, e tentou conter a progressão da deformidade do tronco com uma placa metálica anterior e outra posterior, fabricada por armeiros.

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Ambroise Paré                                             Placa metálica anterior e posterior

Até o fim do século XIX, o gesso de Paris aplicado como colete circular passou a ser um método aceito para manter a correção da curvatura. Lewis Sayre em 1870 utilizou a suspensão vertical e um gesso corporal como forma de tratamento das deformidades escolióticas do tronco.

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 Lewis Sayre.                                        Tração vertical e colocação de colete gessado


A diferenciação entre os diversos tipos de escoliose só foi possível após o advento do Raio-X em 1895, por Wilhelm Conrad Röentgen.

Em 1914, Russell Hibbs realizou a primeira artrodese, tornando método universal de tratamento cirúrgico a partir de 1940.

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Wilhelm Conrad Röentgen                                               Russell Hibbs

Em 1946, Blount e Smith desenharam um colete, que além de proporcionar tração vertical, permite compressão lateral com almofadas. Utilizado inicialmente para o pós-operatório, seu sucesso na correção do valor angular de curvas escolióticas determinou interesse no seu aperfeiçoamento, com sucesso comprovado numa percentagem de pacientes selecionados. Este colete derivou os modernamente utilizados, conhecidos como colete de Milwaukee e derivados.

  

PREVALÊNCIA E HISTÓRIA NATURAL

Escoliose idiopática do adolescente

A prevalência da escoliose idiopática em crianças e adolescentes, com curvaturas maiores de 10º, varia de 0,5% a 3%. Entretanto, curvaturas maiores de 30º têm prevalência de 1,5 a 3 por 1000. Entendemos que a curva de menor magnitude é mais freqüente, podendo surgir e estacionar espontaneamente.

Quanto à distribuição pela faixa etária, existe uma predominância acentuada na escoliose do adolescente, com 89%, a juvenil com 10,5% e a forma infantil com 0,5%.

Esta é a forma mais comum de escoliose, com incidência de até 2% em adolescentes, considerando-se curvaturas de 10º ou mais, porém somente 5% destes casos progridem até 30º. Em curvas de pequena magnitude, a distribuição entre meninos e meninas é igual. Já em curvas com mais de 20º, a incidência é de quatro meninas para um menino, e em curvas acima de 40º a incidência é de oito para um respectivamente.

escoliose12.jpgEscoliose idiopática do adolescente.

História natural:

Apresenta como fator de mau prognóstico da evolução da escoliose idiopática, a magnitude da curvatura, que quanto maior no momento da detecção tem pior prognóstico. Maturidade esquelética baixa, sexo feminino, e a sua presença no período pré-menstrual são agravantes. Com curvas comparáveis entre o sexo masculino e feminino, o sexo feminino apresenta progressão 10 vezes maior. No período da pré-adolescência, o organismo humano apresenta um pico de crescimento rápido, que é crucial para a abordagem terapêutica correta.

O método de rastreamento de escolares, através do teste de inclinação do tronco, utilizado pela primeira vez 1963, e hoje amplamente difundido nos países mais desenvolvidos, permitindo a detecção das curvas escolióticas estruturadas, possibilitando o diagnóstico precoce, e nas curvas progressivas, o controle pelo uso de órteses, com isso reduzindo significativamente a abordagem cirúrgica.


Diagnóstico

O ângulo da curva é usualmente medido pelo método de Cobb, através de exame radiológico, que consiste numa radiografia panorâmica em posição ortostática, em filme de 31 x 90 cm, nas incidências antero-posterior (AP) e perfil. O primeiro passo é determinar as vértebras limites da curvatura, sendo a superior a mais alta, cuja superfície superior inclina-se para o lado da concavidade, e a inferior é a mais inclinada distalmente para a concavidade. Traçam-se linhas perpendiculares intersectantes, a partir das superfícies superior da vértebra proximal e da superfície inferior da vértebra basal da curvatura. O ângulo formado por essas linhas perpendiculares é o Ângulo de Cobb.


TRATAMENTO DA ESCOLIOSE IDIOPÁTICA

O colete de Milwaukee foi o primeiro método de contenção a ser utilizado em escala mundial, e permanece em uso até os dias atuais. As órteses de contenção são efetivas para as curvaturas leves ou moderadas, entre 20 a 45º Cobb, flexíveis, com baixa maturidade esquelética. Basicamente existem dois modelos básicos de órtese, que são prescritos de acordo com o nível da doença. O colete cervico-toraco-lombo-sacro para as curvaturas torácicas altas e baixas, e colete toraco-lombo-sacro, para as curvaturas lombares.

 escoliose10.jpg Colete cervico-toraco-lombo-sacro


Se o tratamento com o uso de órteses não detiver a progressão da curva, e esta superar o valor angular de 50º Cobb, está indicado o tratamento cirúrgico, uma vez que estas curvas são progressivas, mesmo após o término do crescimento ósseo, podendo determinar alterações locais e sistêmicas, como disfunção respiratória, cardíaca ou neurológica. O objetivo do tratamento cirúrgico é a correção parcial da curvatura com fusão óssea rígida ou artrodese.

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Artrodese combinada com implantes metálicos.

CIFOSE DE SCHEUERMANN 

O dorso curvo é uma deformidade da coluna onde a principal característica é o aumento da cifose torácica. Também conhecida como enfermidade de Scheuermann, foi descrita em 1921 por Holger Scheuermann como uma cifose rígida da coluna torácica ou toracolombar acometendo adolescentes. De etiologia desconhecida, acomete ambos os sexos de forma igualitária


QUADRO CLÍNICO

Freqüentemente surge próximo à puberdade, inicialmente visto como um defeito postural, o que usualmente retarda o diagnóstico. Inicia-se com um aumento da cifose torácica ou toracolombar, algumas vezes acompanhada de dor não intensa que se agrava com a posição ortostática ou após esforços físicos. A dor se localiza no ápice da cifose ou na região lombar.Além da cifose aumentada, os pacientes apresentam hiperlordose lombar, e na região cervical, uma projeção anterior da cabeça em relação ao tronco. Os músculos da cintura escapular são hiprotróficos e nota-se um encurtamento dos isquiotibiais, dos flexores dos quadris.

Tratamento

O tratamento inicial da cifose de Scheuermann é conservador, consistindo de exercícios de extensão torácica. O uso de colete está recomendado quando a curva exceder 70º no paciente esqueleticamente imaturo. A cirurgia está recomendada quando a cifose exceder 70º e o paciente estiver sintomático, ou se aparecerem sinais neurológicos.

ESPONDILOLISTESE

Espondilolistese é o termo usado para descrever o escorregamento para frente de um segmento vertebral superior sobre um segmento inferior, geralmente ocorrendo após um defeito bilateral da porção interarticular da coluna lombar. A incidência da espondilolistese é de 5% para a população geral. A incidência em adultos brancos do sexo masculino é de 5 a 6% e no sexo feminino é de 1 a 3%. Em um estudo, a espondilolistese foi encontrada em 47% dos atletas adolescentes que queixam de dor lombar e que fazem hiperextensão repetitiva, o que causa cisalhamento do elemento posterior.

 

CLASSIFICAÇÃO DE NEWMAN:

Tipo I - Displasia ou congênita – corresponde a má formação na parte superior do sacro ou do arco de L5.


Tipo II – Espondilolífica – lesão ao nível da pars interarticulares

Tratamento da espondilolistese congênita e displásica:

O tratamento dependerá em parte do grau dos sintomas presentes: se o deslizamento for inferior a 25% e com poucos sintomas, o tratamento é conservador, constituído em exercícios abdominais e coletes lombo sacro. Nos casos rebeldes com dor persistente e se a deformidade atingir 50% de deslizamento, mesmo sem sintomatologia está indicado o tratamento cirúrgico.