INGÁ ORTHOS

PÉS CHATOS 


O pé plano, popularmente chamado de pé chato, é uma diminuição do arco plantar, muito comum na infância, constituindo uma das causas mais freqüentes de consulta no ambulatório de Ortopedia. Ocorre principalmente pela frouxidação ligamentar, amadurecimento neurológico gradual e pelo acúmulo de gordura na planta dos pés. Os pés são, em geral, flexíveis e o arco aparece quando a criança fica em pé, apoiada nos dedos.

Toda criança, durante os primeiros anos de vida, apresenta graus variáveis de pés planos. E isto é normal.

O arco plantar começa seu desenvolvimento por volta do quarto ano de vida, no período em que a musculatura está em pleno desenvolvimento e completa por volta dos 12 anos de idade, quando o esqueleto torna-se mais rígido e os ligamentos menos elásticos.

A formação do arco plantar possui grande influência genética e está relacionada com fatores genéticos que passam de pai para filho e que determinam o grau de flexibilidade dos ligamentos e das articulações.

No exame físico existem alguns testes simples para avaliar a gravidade do pé plano e se existe algum grau de rigidez articular associada. Exames radiológicos são complementares.

Apodoscopia ajuda a classificar o pé plano e visualiza a forma e a área plantar durante o apoio.

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O teste ao ficar na ponta dos pés nos auxilia a verificar a capacidade de correção do arco plantar e a mobilidade subtalar; assim como o teste de Jack, que é a correção do arco plantar quando fazemos a extensão passiva do hálux (dedão).

Os fatores mais importantes a serem avaliados durante o período de formação e estruturação do pé é a presença de dor e rigidez das articulações envolvidas.

O pé plano flexível assintomático (sem dor e sem rigidez) não é uma doença, é uma variação anatômica determinada geneticamente. Cerca de 10 % dos adultos possuem pés planos (pés chatos), sendo mais comum na raça negra, e não ocasionando nenhum sintoma, nenhuma queixa ao portador.

Embora muito populares, as botinhas e palmilhas ortopédicas são completamente desnecessárias, já que não têm qualquer papel na correção dos pés plano valgo. Portanto, a melhor conduta ortopédica é o acompanhamento do crescimento da criança. Recomenda-se a reavaliação semestral da criança pelo ortopedista.

Nas crianças a partir de sete anos, pode-se observar um pé plano progressivo, e muitas vezes unilateral devido a coalização de alguns ossos do retropé. Nesses casos ocorre perda do movimento de inversão e eversão do pé (para dentro e para fora) e a dor dificulta a prática de esportes ou outras atividades físicas. O tratamento do pé plano rígido, na grande maioria das vezes, é cirúrgico.

O pé plano do adolescente também pode ocorrer por alterações congênitas do osso navicular provocando uma insuficiência funcional do tibial posterior. Este predispõe a um processo inflamatório no tendão tibial posterior, e em alguns casos pode-se observar uma deformidade progressiva do pé, com o achatamento do arco plantar.

Algumas doenças mais raras podem estar associadas ao pé plano, como por exemplo,paralisia cerebral, mielomeningocele, neurofibromatose e síndromes como Down, Marfan, Ehler-Danlos e Larsen. Nesses casos existe uma maior gravidade da deformidade.

Na fase adulta pode ocorrer o pé plano adquirido por sobrecarga ponderal ou secundário à artrite reumatóide. Este se deve a patologia inflamatória do tendão tibial posterior com a perda da função e degeneração deste tendão, e a conseqüente planificação e dolorimento do pé.