INGÁ ORTHOS

CASO CLÍNICO 18: TENDINITE PATELAR

Militar de 40 anos, procurou o Serviço de Ortopedia da 3ª Policlínica solicitando licença de serviços, pois se encontrava imobilizado com tala gessada em membro inferior direito, colocada em um Serviço de Pronto Atendimento. Refere dores em joelhos principalmente no direito há cerca de 1 ano, com início dos sintomas somente aos esforços. Evoluiu com piora gradativa, até que a dor iniciava logo após o início da corrida e, para conseguir praticar atividade física, usava AINH (antiinflamatórios não-hormonais).

Ao exame físico, paciente com sobrepeso, dor à palpação do tendão patelar e à flexo-extensão ativa e passiva, mais acentuada no final do arco de movimento.Contratura de isquiotibiais e marcha com hiperpronação dos tornozelos.

O laudo da ultrasonografia apresenta áreas de fibrose e lesões cicatriciais e no exame de ressonância magnética demonstra aumento da espessura da porção posterior e proximal do tendão, compatível com tendinite patelar.

O tratamento recomendado foi aplicação de gêlo pelo menos 20 minutos quatro vêzes ao dia, dispensa de esforços físicos com objetivo de redução de carga, prescrito palmilhas de silicone com elevação do arco medial plantar e anti-inflamatórios não esteroidais.

O paciente foi orientado a evitar imobilizações como talas gessadas ou imobilizadores, pois isso desencadeia a fraqueza e a atrofia precoce do quadríceps e encaminhado para Serviço de Fisioterapia com indicação de realizar alongamento de isqueotibiais e dos gastrocnêmios, exercícios isométrico e isotônicos do quadriceps.

Também orientado a reiniciar as atividade física lenta e progressivamente, permitindo uma adaptação da estrutura tendinosa à carga imposta sobre o mesmo joelho.

A tendinite patelar geralmente acomete atletas com sobrepeso, alterações anatômicas, como instabilidade patelar, discrepâncias de comprimentos dos membros inferiores, pés valgos, encurtamento dos músculos quadríceps e isquiotibiais.

A dor é provocada na extensão súbita do joelho, como corrida, salto e chutes, levando a microtraumas no tendão patelar, geralmente no pólo inferior da patela quando submetido à sobrecarga intensa e repentina.

As tendinopatias são desencadeadas pelo desequilíbrio entre a resposta reparadora dentro do tendão e a sobrecarga causada por microtraumas de repetição, o que provoca alterações hipóxicas e aumento do nível de lactato, devido a atividade anaeróbica, desencadeando a ativação de enzimas que degradam a matriz tendínea.

O processo de cicatrização de uma lesão tendínea ocorre em três fases:

  1. Inflamatória caracterizada pelo aumento da permeabilidade vascular e a proliferação de células vermelhas, leucócitos e tenócitos nas primeiras 72 horas.
  2. Reparação nessa fase há o pico de produção de colágeno, com duração de poucas semanas.
  3. Remodelação começa após seis semanas depois da lesão, havendo mudança para tecido fibroso até a 10ª semana e após esse período há alteração do tecido fibroso cicatricial para tendão no curso de um ano.