INGÁ ORTHOS

CASO CLÍNICO 16: TRATAMENTO DE PUBALGIA

Militar de 40 anos compareceu ao Serviço de Ortopedia da 3ª Policlínica para pegar licença médica devido a dor em região púbica há mais de seis meses, que melhora com o repouso e piora quando joga bola, principalmente no chute. Refere já ter sido atendido por ortopedista com diagnóstico de distensão de coxa, e já ter feito tratamento medicamentoso, mas sem grande efeito.

Ao exame físico, apresenta dores à palpação da região púbica e na manobra de contração ativa dos músculos adutores e abdominais.

Foram realizados radiografias e ressonância magnética do quadril com imagem de compatível compatível com osteíte púbica não infecciosa, isto é, asséptica.

O paciente foi submetido ao tratamento conservador, com afastamento das atividades físicas, medicado com antiinflamatórios não hormonais (AINH), e encaminhado para fisioterapia com indicação de termoterapia e eletroterapia, e reequilíbrio muscular baseado em alongamento e fortalecimento da musculatura púbica.

A pubalgia, também denominada de pubite ou pubeíte, é uma síndrome dolorosa que acomete as regiões pubiana, inquinal e perineal, e pode ser causada por osteíte púbica, tendinite de adutores ou patologia parietal.

A osteíte púbica é um processo inflamatório da sínfise ou dos ossos pubianos e suas porções contíguas, podendo ser infecciosa ou não infecciosa, sendo a mais comum o desequilíbrio muscular no nível da pelve.

A osteíte púbica não infecciosa é causada por microtraumas de repetição e o desequilíbrio entre a musculatura reto abdominal e os adutores da coxa.

O músculo reto abdominal tem sua inserção na região superior do púbis, e exerce uma tração superior, enquanto os adutores exercem tração inferior e lateral sobre a sínfise e o osso púbico. Também o desequilíbrio dos músculos adutores e abdutores do quadril pode ser uma das causas dos sintomas.

O perfil desses pacientes com osteíte púbica asséptica é o de pessoas ativas que praticam atividades físicas, como corredores, jogadores de futebol, mas sem um condicionamento físico e postural correto.

Uma das tarefas mais difíceis no tratamento desses pacientes é a conscientização sobre a necessidade de manutenção das atividades de fortalecimento, alongamento e reequilíbrio da musculatura a fim de evitar recidiva da dor.

A osteíte púbica também pode está relacionada a um processo infeccioso por disseminação hematogênica, após a procedimentos genitourinários, cirurgias pélvicas e perineais, parto vaginal, infecções urinárias, uso de medicamentos parenterais, furunculose e feridas cutâneas.

Quando a osteíte púbica está associada à infecção, os sintomas incluem: febre, dor na virilha ou na pelve, incapacidade de ficar de pé e muita dor sobre o púbis. O tratamento nestes casos baseia-se em repouso, analgésicos, anti-inflamatórios e uso de antibióticos específico para a bactéria.

A tendinite de adutores é resultante de esforços de repetição, sendo o adutor médio mais acometido, e a sintomatologia caracteriza-se por uma dor na raiz da coxa, na sua face medial, que inicialmente desaparece com aquecimento, mas pode tornar-se mais intensa, podendo persistir mesmo após a interrupção de atividade física.

Ao exame físico, observa-se dor à palpação do tendão, ao alongamento passivo e à contração ativa dos adutores. O tratamento baseia-se repouso, anti-inflamatórios, infiltrações de corticoides, alongamento da musculatura e massagens com gelo e ultrassom.

A pubalgia também pode ser devido a patologia parietal, isto é, dor durante as atividades físicas na região púbica podendo irradiar-se em direção aos orifícios inquinais ou crurais ou para os adutores. O tratamento conservador consiste no uso de AINH, repouso e fisioterapia para fortalecimento da musculatura oblíqua abdominal e dos músculos retoabddominais.