INGÁ ORTHOS

CASO CLÍNICO 13: SÍNDROME D0 DESFILADEIRO TORÁCICO

Militar feminina do Quadro de Saúde do Corpo de Bombeiros de 38 anos, compareceu ao Serviço de Ortopedia devido a queixa de dor cervical, dormência e perda de força no membro superior direito quando está escrevendo ou durante os movimentos. Apresenta diagnóstico prévio de Síndrome do Túnel do Carpo (STC).

No exame físico, a paciente apresenta espasmo da musculatura do trapézio e supraescapular direita, acentuação da dor e dormência no membro superior do mesmo lado, quando realiza abdução e rotação externa do ombro ipsilateral, acompanhado de inclinação e rotação do pescoço para o lado esquerdo (Manobra de Adson).

No exame radiográfico da coluna cervical apresentava malformação congênita óssea do processo transverso da sétima vértebra cervical

Tratava-se de Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT), que é um espaço na região cervical por onde passam o plexo braquial e os vasos subclávios, delimitado, lateralmente pelos músculos escalenos anterior e médio, e, inferiormente, pela clavícula.

Os músculos anômalos, as bandas fibrosas ou a presença de uma costela emergindo na última vértebra cervical atuam como agentes causadores de compressão do plexo braquial em suas raízes mais inferiores ou os vasos subclávios.

A patologia acomete principalmente mulheres de 30 a 40 anos e pode ser diagnosticada pela presença de costela cervical ou processo transverso de C7 proeminente nas radiografias da coluna cervical, alterações presentes em até 0,5% da população em geral.

A maior parte dos pacientes com SDT, ao contrário da Síndrome do Túnel do Carpo, não apresenta alterações no exame de eletroneuromiografia, uma vez que a compressão somente ocorre em algumas posições.

O eco-Doppler colorido pode apontar para a compressão vascular e devem ser solicitados se houver, no exame físico, alteração venosa ou arterial.

O tratamento da SDT é baseado em exercícios físicos regulares de fortalecimento muscular da região cervical e escapular e orientação postural dos pacientes em suas atividades diárias.

A STC deve-se a uma compressão do nervo mediano no punho, acompanhado de sensação de dormência nos dedos radiais das mãos principalmente no período noturno, devido a flexão ou extensão excessiva do punho durante o sono.

A doença acomete principalmente a mão dominante, mas não é raro ocorreram sintomas bilateralmente em pacientes com doenças sistêmicas, como hipotireoidismo, artrite reumatóide ou diabetes.

Os sintomas da STC são reproduidos com a flexão total do punho durante um minuto (Teste de Phalen) ou ao percutir a região correspondente ao ligamento transverso do carpo (Sinal de Tinel).