INGÁ ORTHOS

 

CASO CLÍNICO 12: PÉS PLANOS

Paciente com 2 anos e 10 meses, compareceu ao Serviço de Ortopedia, levado pelos seus pais ansiosos, com a orientação de que o filho precisava de usar botas ortopédicas para não agravar a deformidade nos pés. A mãe informa que o filho nasceu de parto cesáreo e após 5 dias fez cirurgia para colocação de válvula devido a hidrocefalia.

Ao exame, a criança apresentava déficit de desenvolvimento psíquico motor, com idade somatomotora abaixo da idade cronológica, aumento do perímetro cefálico, marcha com aumento da base de sustentação dos membros inferiores, com valgismo dos joelhos e retropés e auxílio dos membros superiores para aumentar o equilíbrio.

Tratava-se de uma criança com pés planos devido ao retardo do desenvolvimento neurológico, mas com pés plantígrados, sem rigidez. Foi orientado aos pais da tendência de melhora gradual do arco com o crescimento e da necessidade de revisão semestral

O pé plano é uma diminuição do arco plantar, muito comum na infância, constituindo uma das causas mais freqüentes de consulta no ambulatório de Ortopedia. Decorre principalmente pela frouxidação ligamentar, amadurecimento neurológico gradual e pelo acúmulo de gordura na planta dos pés. Os pés são, em geral, flexíveis e o arco aparece quando a criança fica em pé, apoiada nos dedos.

Embora muito populares, as botinhas e palmilhas ortopédicas são completamente desnecessárias. Afinal, não têm qualquer papel na correção dos pés plano valgo.

Assim, a melhor conduta ortopédica é o acompanhamento do crescimento da criança. Uma boa freqüência seria a reavaliação semestral da criança pelo ortopedista.

Nas crianças a partir de 7 anos, pode-se observar um pé plano progressivo, e muitas vezes unilateral. Nesta eventualidade é freqüente observarmos a fusão dos ossos do retropé.

O pé plano do adolescente também pode ser por alterações congênitas do osso navicular provocando uma insuficiência funcional do tibial posterior. Este predispõe a processo inflamatório no tendão tibial posterior, e podemos em alguns casos observar uma deformidade progressiva do pé, com o achatamento do arco plantar.

Na fase adulta, temos o pé plano adquirido por sobrecarga ponderal ou secundário a artrite reumatóide. Este se deve a patologia inflamatória do tendão tibial posterior com a perda da função e degeneração deste tendão, e a conseqüente planificação e dolorimento do pé.