INGÁ ORTHOS

CASO CLÍNICO 11: CAPSULITE ADESIVA EM OMBRO

Militar Bombeiro Militar de 45 anos, compareceu ao Serviço de Ortopedia referindo dor em ombro esquerdo desde fevereiro de 2010,após queda com apoio no membro superior, evoluindo com limitação progressiva dos movimentos. Tratada inicialmente com antiinflamatório não hormonal e fisioterapia devido ao diagnóstico de tendinopatia, mas com piora progressiva da dor.

Tratava-se de capsulite adesiva na fase hiperalgica, tendo sido feito bloqueio do nervo supra-escapular com infiltração de 8ml de anestésico local, sem adrenalina, aplicado diprospan, corticóides de ação prolongada por via intramuscular, medicada com cloridrato de tramadol 50 mg, analgésico potente e nimesulide 100 mg, antiinflamatório não hormonal, por via oral.

A capsulite adesiva é uma doença caracterizada pela inflamação e contratura de toda a capsula articular, o que ocasiona dor e restrição de movimento do ombro em pessoas na faixa etária dos 40 a 60 anos. Pode ser subdividida em:

a) primária, ou idiopática;
b) secundária - quando se identifica uma possível causa ou há associação com outras doenças. podendo ser:
1) intrínseca - quando é desencadeada por lesão no próprio ombro (tendinites do manguito dos rotadores, tenossinovite da cabeça longa do bíceps, bursite, artrose acromioclavicular, etc.);
2) extrínseca - quando há associação com alterações de estruturas distantes do ombro, tais como lesões do membro superior (fraturas do punho e mão, infecções, etc.), doenças do sistema nervoso central e periférico (AVC, epilepsia, lesão de nervos do membro superior, etc.), lesões da coluna cervical com ou sem radiculopatia, doenças do coração (isquemia do miocárdio) e do pulmão (doença pulmonar crônica, tumores do ápice do pulmão) etc.;
3) sistêmica - quando há associação com doenças como a diabetes, doenças da tireóide, etc.

A evolução clínica da capsulite adesiva caracteriza-se por 3 fases:
Fase 1 - (Inflamatória / Dolorosa): aparece de maneira insidiosa, gradual, mal localizada, com perda lenta e progressiva da mobilidade passiva e ativa do ombro, e tem como sintoma principal à dor. Apresenta duração de 2 a 6 meses.
Fase 2 - (Rigidez): caracteriza-se pela limitação da mobilidade, com dor leve e persistente. Esta fase pode variar de 6 a 24 meses.
Fase 3 - (Remissão da doença / “Descongelamento”) ocorre o retorno gradual dos movimentos, de forma lenta e progressiva ao longo de meses. O período de duração desta última fase pode variar de 6 a 12 meses.
O tratamento consiste em:

  • Medicação - utilizado especialmente na primeira fase, quando a dor é constante, sendo utilizados analgésicos e anti-inflamatórios;
  • Fisioterapia – utilizando crioterapia, neuroestimulação e´trica transcutânea para alivio da dor e exercícios pendulares para restauração progressiva da amplitude dos movimentos e função;
  • Hidroterapia - Os exercícios subaquáticos em piscinas térmicas propiciam relaxamento muscular, facilitando os movimentos;
  • Bloqueio do n.supra-escapular - é um método de tratamento que pode ser associado com a fisioterapia. o bloqueio desse nervo pode levar a resultados satisfatórios no tratamento da capsulite adesiva.
  • Cirurgia (Artroscopia) - alguns pacientes não respondem ao tratamento necessitando de tratamento cirúrgico.