INGÁ ORTHOS

CASO 17: TRATAMENTO DE FASCITE PLANTAR

Oficial militar de 49 anos de idade compareceu ao Serviço de Ortopedia da 3ª Policlínica para pedir licença médica devido a dor na planta do pé direito, que começou há algumas semanas, intensificada com o trabalho no quartel, pois permanece várias horas em pé de coturno. Relata que há 2 anos apresentou um episódio de dor, quando procurou um especialista que diagnosticou esporão de calcâneos, com melhora da sintomatologia após infiltrações com corticosteróide.

Informa que tem esporão de calcâneo, com piora da dor ao levantar da cama pela manhã, ou após ficar muito tempo sentado e também ao andar. Acrescenta que interrompeu as caminhadas que realizava diariamente para perder peso, após aconselhamento de colegas.

Na radiografia em perfil do calcâneo apresenta esporão plantar e na ultra-sonografia identifica fáscia plantar espessada compatível com o diagnóstico de fascite.

O paciente foi medicado com antiinflamatório não esteroidal (AINE), crioterapia e orientado para emagrecer pois é estimado que os pés suportam 57% do peso corporal na posição ortostática.

Também foi orientado a realizar  alongamento da fáscia plantar e complexo gastrocnêmio-sóleo, uso de sapatos flexíveis, associada à palmilhas de silicone com elevação do calcâneo e com densidade central menor, associado com elevação do arco longitudinal medial.

A fascite plantar é uma origem comum de dor na planta do pé no adulto, com resolução em 95% dos casos com tratamento clínico até um ano após o início do quadro. A recomendação inicial é diminuir o tempo de ortostatismo, com intuito de amenizar a sobrecarga na planta dos pés.

O diagnóstico é clínico, caracterizado por queixa de dor após um período de repouso, especialmente ao se levantar após o sono e sensibilidade dolorosa na face medial e plantar do calcâneo.

A obesidade, os sapatos rígidos ou deformados, ortotatismo por mais de 6 horas, valgismo do calcâneo e o encurtamento do tendão de aquiles são fatores de risco que devem ser corrigidos para melhora dos sintomas.

A presença do esporão plantar do calcâneo não deve ser correlacionada diretamente com a fascite. Ele não é característico de qualquer doença e pode estar presente em pacientes assintomáticos e ausente em pacientes intensamente dolorosos.

O tratamento é sempre conservador, com a associação de antiinflamatórios, crioterapia associada com alongamento da fascia plantar e complexo gastrocnêmio-soleo e palmilha com área de absorção em retropés e correção da pronação do pé.

O uso de corticosteróide é preconizado em casos de dor prolongada sem melhora aos tratamento anteriores, mas também é um coadjuvante e deve ser utilizado com muito cuidado, pela possibilidade de atrofia de coxim gorduroso, ruptura da fáscia plantar e neurite do nervo para o abdutor do quinto metatarsal ou do nervo calcâneo medial. Além disso, o período de alívio da dor que ele propicia é de, no máximo, um mês. Após esse período, a melhora da intensidade da dor é igual àquela dos pacientes que não fizeram seu uso.