INGÁ ORTHOS

CASO 1: TRATAMENTO DE ESCOLIOSE

Paciente feminina de 18 anos de idade, procurou Serviço de Ortopedia para realização de radiografias panorâmicas da coluna vertebral em posição ortostática, escanometria dos membros inferiores solicitadas por ortopedista particular, para saber se há necessidade de cirurgia para correção de escoliose.

    Tratava-se de paciente com escoliose torácia esquerda de 15 graus Cobb, já com sinal de Risser fechado, isto é, maturidade esquelética. Orientada para realizar atividades físicas regulares, pois não tinha indicação cirúrgica nem uso de coletes.

    A escoliose é uma curvatura lateral da coluna da coluna vertebral no plano frontal maior do que 10º (dez graus), de causa ainda desconhecida, que aparece e progride principalmente em meninas, por volta de 10 anos de idade.

    Existem diversas causas de escoliose, mas as mais comuns são escolioses idiopáticas (sem causas aparentes), escoliose congênita, escoliose por neurofibromatose e por paralisia cerebral.

    As escolioses idiopáticas são classificadas em infantis, as observadas em crianças até os três anos de idade; juvenis, entre três e dez anos e do adolescente, após dez anos até o final do crescimento.

    Quanto à distribuição pela faixa etária, existe uma predominância acentuada na escoliose do adolescente, com 89%, a juvenil com 10,5% e a forma infantil com 0,5%.

    As  escoliose juvenil e do adolescente, com prevalência em torno de 2% a 3% da população, são mais freqüentes no sexo feminino, e as curvas quase sempre estão situadas na região torácica com convexidade para a direita.

    O Rx panorâmico de coluna nas incidências de frente e lateral deve ser solicitado quando encontrarmos alterações no exame físico, sugestivas da presença de escoliose. O ângulo da curva é usualmente medido pelo método de Cobb, ao traçar-se duas linhas paralelas às margens superior e inferior dos corpos vertebrais no início e fim da curvatura. Em seguida, traça-se mais duas linhas perpendiculares a estas e o ângulo formado pelo cruzamento destas duas linhas é conhecido como ângulo de Cobb.   

Em 1946, Blount e Smith desenharam um colete, que além de proporcionar tração vertical, permite compressão lateral com almofadas. Utilizado inicialmente para o pós-operatório, seu sucesso na correção do valor angular de curvas escolióticas determinou interesse no seu aperfeiçoamento, com sucesso comprovado numa percentagem de pacientes selecionados. Este colete derivou os modernamente utilizados, conhecidos como colete de Milwaukee e derivados

O colete de Milwaukee foi o primeiro método de contenção a ser utilizado em escala mundial, e permanece em uso até os dias atuais. As órteses de contenção são efetivas para as curvaturas  leves ou moderadas, entre 20 a 45º Cobb, flexíveis, com baixa maturidade esquelética.Basicamente existem dois modelos básicos de órtese, que são prescritos de acordo com o nível da doença. O colete cervico-toraco-lombo-sacro  para as curvaturas torácicas altas e baixas,  e colete toraco-lombo-sacro, para as curvaturas lombares.